O meu dói última e constantemente. Há um mês resolvi comprar uma bicicleta e há um mês vou e volto do trabalho com ela. Nos dois primeiros dias, achei que fosse morrer de dor na coxa e, é claro, no dito cujo, mas acostumei, meu corpo acostumou e está tudo bem agora.
Uma alegria imensa notar no fim do mês que recuperei metade do dinheiro investido na magrela, que chego em 20 e poucos minutos à escola, que minha perna está ficando dura (:D) - porém, não emagreci nenhum grama, já que como com a mesma voracidade que pedalo na subida (:/).
Mas o que me deixa impressionada, o que eu passei a reparar nesses últimos 30 dias, é como nós, ciclistas urbanos, somos desprivilegiados. Não há lugar na Terra para nós: a calçada é para pedestres, a rua, para os motoristas solitários, enervados, egoístas e ignorantes (em uma generalização injusta, eu sei). E as ciclovias? Elas estão em Santos, nas avenidas praianas, quando muito, aqui na área do Grande ABC, dentro e ao redor de parques. E o que eu vou fazer com essas ciclovias? Infelizmente meu trabalho não se constitui em pedalar ao redor de áreas verdes por 4 ou 6 horas diárias.
Outra coisa que me ocorreu, é que agora eu peguei um pouco daquele espírito do motorista comum, que, após a aquisição de seu veículo, não tem coragem de ir a lugar algum somente com os próprios pés. Confesso... vou ao médico, à padaria, à casa da amiga, à banca de jornal só de bicicleta. Porém, além do meu suor, não emito nenhuma substância nojenta prejudicial ao ar, ao meio-ambiente, à minha saúde e à dos outros. E apesar de estar colaborando para com o esvaziamento do trânsito caótico, com a super lotação dos ônibus e com essa parada ambiental, não há lugares para estacionar este meio de transporte. Já prendi minha bicicleta no corrimão do consultório médico, no portão do laboratório, na grade de proteção do gás... enfim... lugares tão alternativos quanto o transporte.
Esse relato foi só por puro desbafo... Não vou lançar campanha para os meus leitores assíduos (hahahahahahahaha), mesmo porque não é todo mundo que está a fim de ser legal (=]) às custas de alguns gotejos sudoríparos pelo corpo. Só quero que vocês, motoristas, sejam mais compreensivos com os ciclistas que vocês acham que atrapalham sua vez de passar. Raciocinem: uma bicicleta é um carro a menos na sua frente.
E eu prefiro ter dor no asshole a ser um.
*asshole = 1. buraco do ânus, vulgo "cu". 2. indivíduo que usa seu carro para locomoção única e exclusiva dele mesmo. O carro tem lugar para 5 pessoas, mas dar carona é perigoso e hoje em dia não se conhece mais os vizinhos. [ah... fazer o que? é a vida!] ¬¬
segunda-feira, 28 de abril de 2008
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